sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Saber o Destino, não saber o caminho


Sinto-me perdido, estagnado.
Preso à minha incapacidade. Não consigo escrever melhor porque os sentimentos não se sobrepõe à lógica, sinto-me limitado pelo meu corpo que não me deixa soltar a alma, que a prende a um formato físico.
Se a minha alma pudesse escrever lviremente, atingiria o ponto que tanto desejo alcançar, aquele patamar digno dos génios, onde as suas palavras se tornam o ponto de referência das pessoas, se tornam os próprios sentimentos, o escritor é um arquitecto e jamais um simples homem de letras, torna-se numa entidade.
E eu quero chegar a esse ponto mas, sinto que a minha evolução acaba aqui, e para ser completamente honesto sinto-me em recessão.
Sinto as minhas palavras a perder significado, a tornarem-se simples caractéres, e onde antes as minhas frases eram linhas que tocavam a superfície da alma, sinto-me agora um gigante desajeitado que tropeça aos poucos e poucos aguardando a queda.
E olho para todas as caras nos prefácios e vejo tecedores. Tecedores de histórias, cujas palavars formam mantos que envolvem a alma humana, que tocam, transformam, criam e mudam.
E eu? Sou apenas um aspirante. Uma testemunha da grandeza dos dotados, ambicionando para mim algum desse talento mas, sabendo que estou limitado, limitado por mim mesmo, sem conseguir ligar-me ao meu âmago, sempre roçando o cerne do pretendido, uma objectiva que não consegue focar.
E vejo nas palavras de todos em meu redor, o poder de mover montanhas, a capacidade de se ligarem à alma humana e mudarem-na, mudarem as pessoas, fazê-las sentir, e no entanto eu não consigo.
Cada dia que passa deixo a janela da oportunidade desaparecer, vejo o talento a morrer, e a evolução a decrescer.
Aproximo-me de um beco sem saída, vazio e molhado, a parede de tijolo em minha frente, e dei a minha vida às palavras, as palavras irão dar-me vida a mim?

2 comentários:

ynês disse...

agora esta imagem ja me é familiar :)

Martha disse...

"sinto-me agora um gigante desajeitado que tropeça aos poucos e poucos aguardando a queda."

não te preocupes em demasia, isso cria obsessão.
(tu escreves bem, eu pelo menos acredito que sim.)