sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Lisboa


Lisboa, és a minha mais sincera amante, a eterna donzela que segura sempre a minha mão.
É nas tuas ruas que suspiro as minhas tardes, é nas tuas noites que gasto os meus sapatos, nas tuas manhãs que vivo a minha nostalgia, e é em ti que a minha vida se desenrola.
O teu céu não é o mesmo que me cai todas as manhãs no resto do mundo, o céu que cai sobre mim são gerações de poemas e letras, todas pintadas pelo maior dos artistas criando para os teus prédios, para as tuas alamedas, um céu digno da da tua história.
E minha bela amante, conheci contigo vitória e derrota, euforia e apatia, foste a minha companheira no bom e no mal.
Abraçaste-me nos meus momentos mais bonitos, as tuas luzes iluminando os meus momentos de amante, os teus corredores testemunhando os meus momentos mais humanos, guardando-os nas tuas paredes, nas tuas janelas, na tua calçada.
Acarinhaste-me contra o teu peito, como o bom filho teu que sou quando me escorriam as lágrimas do desespero, a dor da suadade, confortaste-me nas vozes dos teus habitantes, as tuas pracetas foram a minha guarida.
E aceitaste-me sempre, fosse eu um condenado ou um amado, tomaste conta de mim, encheste-me de vida todos os momentos, com amigos, ou sozinho, estiveste sempre comigo, elevando-te perante mim, em toda a tua grandeza, nunca fechando as tuas portas à minha causa.
E foi em ti que conheci a amizade, gastando a voz, de voz rouca, do pôr-do-sol ao nascer da madrugada, esperando o comboio enquanto me guardavas nos teus braços as últimas réstias da noite.
Conheci contigo o amor, a paixão do primeiro beijo, acolheste-me quando amei outra, e foste para nós a nossa casa, transportando-me nas tuas estradas até casa dela, para os locais que com ela te marcaram em mim, e foste sempre amável, mostrando-me o melhor da vida.
E quando o amor acabou, acolheste-me no meu desespero, as tuas luzes foram carícias em coração magoado, e embora nostálgica e reclamando memória, trouxeste-me paz de novo.
E Lisboa, depois de tudo, da dor, do amor, do ardor, da saudade, da amizade, és ainda a minha única casa, serei sempre teu e da estrada, um amante imperfeito para uma cidade perfeita.
Deste-me vida, incontáveis memórias, dou-te todo o meu amor, e a alegria de sempre poder voltar.

Faintly Falling Ashes


E começa como o anterior, um simples novo dia.
Não importam as querelas do dia anterior, as lágrimas de um ano de luta, não importam os sorriso que se perdem no outrora, o que acontece, o que realmente importa é a única constante nas nossas vidas, a continuidade desta mesma.
Os céus escurecem, a chuva cai. Uma percussão eterna da natureza, nunca terminando, renovando-se sempre, cada gota que cai contribui para a melodia simples que invade as ruelas por onde andamos, e a vida? Essa continua.
Mesmo depois de estar aqui, dos meus problemas acabarem, das alegrias passarem, a vida vai continuar, sempre em renovação, o enredo o mesmo, os actores mudando.
E quando é tudo tão efémero, quando a vida é reduzida a isto, porque desejamos complicá-la tanto?
Respiro fundo então, o amanhã é só mais um dia, por isso não morro por hoje, não choro por ontem, nem anseio o amanhã, são apenas dias, e virão muitos mais, em qualquer formato desejável ou desprezível mas, virão.
Não posso ter pressa de viver tudo hoje, porque não morro amanhã, um passo de cada vez lembro a mim mesmo.
E as paixões que se apagam, acenderão novas um dia e portanto não devo ansiar o passado, os amigos vão-se embora mas, o que importa é os amigos que tiver amanhã.
Subo a rua do Alecrim, as cercas de metal desgastado paralelamente a mim, as luzes da cidade iluminando cada passo, a chuva a mistificar cada espaço, andar faz-me feliz.
E as árvores mudam as cores, e os céus escurecem, as ruas enchem-se e ficam vazias, uma história cada dia, e o que receio não conseguir alcançar hoje, a impossibilidade de ter tudo? Posso tentar de novo amanhã.
E desapareço agora no meio das pessoas, debaixo das luzes de natal, desaparecendo mundo a dentro, por entre contos, histórias, palavras
É Natal e sou feliz, não a pensar no passado, não a morrer no presente, não ansiando o futuro. Apenas vivendo.


Feliz Natal a todos.

Saber o Destino, não saber o caminho


Sinto-me perdido, estagnado.
Preso à minha incapacidade. Não consigo escrever melhor porque os sentimentos não se sobrepõe à lógica, sinto-me limitado pelo meu corpo que não me deixa soltar a alma, que a prende a um formato físico.
Se a minha alma pudesse escrever lviremente, atingiria o ponto que tanto desejo alcançar, aquele patamar digno dos génios, onde as suas palavras se tornam o ponto de referência das pessoas, se tornam os próprios sentimentos, o escritor é um arquitecto e jamais um simples homem de letras, torna-se numa entidade.
E eu quero chegar a esse ponto mas, sinto que a minha evolução acaba aqui, e para ser completamente honesto sinto-me em recessão.
Sinto as minhas palavras a perder significado, a tornarem-se simples caractéres, e onde antes as minhas frases eram linhas que tocavam a superfície da alma, sinto-me agora um gigante desajeitado que tropeça aos poucos e poucos aguardando a queda.
E olho para todas as caras nos prefácios e vejo tecedores. Tecedores de histórias, cujas palavars formam mantos que envolvem a alma humana, que tocam, transformam, criam e mudam.
E eu? Sou apenas um aspirante. Uma testemunha da grandeza dos dotados, ambicionando para mim algum desse talento mas, sabendo que estou limitado, limitado por mim mesmo, sem conseguir ligar-me ao meu âmago, sempre roçando o cerne do pretendido, uma objectiva que não consegue focar.
E vejo nas palavras de todos em meu redor, o poder de mover montanhas, a capacidade de se ligarem à alma humana e mudarem-na, mudarem as pessoas, fazê-las sentir, e no entanto eu não consigo.
Cada dia que passa deixo a janela da oportunidade desaparecer, vejo o talento a morrer, e a evolução a decrescer.
Aproximo-me de um beco sem saída, vazio e molhado, a parede de tijolo em minha frente, e dei a minha vida às palavras, as palavras irão dar-me vida a mim?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

The Absurdity Of Just Wanting


A luz fina da manhã invade o meu quarto, trespassa tanto janelas como cortinados, esmorecendo na minha cama.
Os lençóis de veludo vermelho deixo para trás, torcidos e enrolados pelo contorcer das minhas memórias que ficaram para trás.
E o candelabro encontra-se sobre a minha cabeça, e eu deitado, a respirar profundamente, absorvendo cada contraste da sala que me rodeia, perdido num limbo de sonhos e magia, de sono, e realidade, a minha sombra espelha-se na carpete carmesim, e o bater do meu coração invade-me os ouvidos.
A chuva simplesmente cai no exterior, poderia olhar para ela mas, apenas veria cortinas transparentes que separam a minha casa do mundo, e estaria sozinho, só com a tua sombra ao meu lado.
E ela é tão pesada, ela consome-me por completo, esvazia-me de energia, deixa-me demasiado cansado para lutar, para te recusar no meu coração. E portanto o meu coração não bate porque estou vivo e feliz, bate porque por ti estou apaixonado.
E quero separar-me. Quero sair destes fios que me prendem ao destino incerto, quero ser livre de ti e vaguear de novo pelo mundo.
Viro os olhos para o tecto, ainda estendido na carpete, afundo-me na memória, na canção dolente do sonho, e sinto ainda o meu coração a marcar compasso, um relógio de ouro que eu anseio que pare, porque querer-te não chega.
Não me peças para levantar do meu leito, estou aqui tão fundo no mar escuro, as minhas mãos deixando-se levar pela corrente, a calma de espírito que é afundar-me nas ondas, e ouvi-lo ainda a bater.
Estou a afundar-me em sonhos, e a afundar-me no meu quarto, o meu coração teu campo de batalha

Um sonho tri-partido


É no reino dos sonhos que sou Morfeu, o homem da ampulheta do tempo, onde controlo tudo à minha volta.
Crio mundos com o uso da simples imaginação e neles vivo todas as noites, revisitando e mudando a paisagem conforme o tempo passa, e a visão que dos meus sonhos alguém tentar perceber, vai-se neles perder pois é uma canção, uma canção que simplesmente só eu sei cantar.
O ínicio de uma canção que é um sonho, é uma canção no qual sou bombeiro.
Fumando um cigarro, encostado ao carro de combate, olho para o teu prédio branco perdido na imensidão do fundo negro em que se envolve. Sou o único destacado para apagar o fogo mas, quero-te ver a arder acompanhando em sinfonia o cigarro que queima entre os meus dedos.
E gritas por socorro mas, meu amor, já não sou bombeiro, sou agora um astronauta, sem a minha mão, cais no espaço e desapareces por entre as estrelas.
Essas estrelas são agora uma avenida Lisboa abaixo, e sonho que ainda gostamos um do outro, quando acordar vai simplesmente saber bem saber que estava só a dormir.

Nesta canção que é o meu sonho, seria para ti pesadelos durante semanas. Tamanha escuridão e ódio que os recantos da minha mente destinam.

Sonhei que era uma onda, enorme e infinita, bloqueando o próprio sol, abatendo-se sobre o teu barco, reclamando para mim a vida dos teus marinehiros, engolindo-te e atirando o teu corpo torcido para a areia.
E agora sou teu senhorio e despejo-te todas as noites de casa, tranco-te as portas e deixo-te agarrada à maçaneta durante o frio do nevão sempre que tiveres amantes à espera.
E caso entrasses na minha casa, seria um vampiro mas, incapaz de beber o teu sangue envenenado.

Nesta canção que é um sonho, sonhei que era tu, foi o sonho mais bonito que alguma vez tive, onde voltavamos a ser um, como foramos outrora.

Volta para junto de mim pois sem ti aqui não consigo dormir, sonhar, sou apenas um visitante nos meus sonhos, no teu coração.
E sonho agora que te salvo do incêndio por mim provocado.
Rodopio nas ondas abraçado a ti, o nosso beijo uma memória salgada de todos os momentos apaixonados do mundo, e cairemos de costas na areia juntos, como se entregues pela primeira vez ao mundo, juntos na calma de um beijo no caos do rimbombar do oceano.
Só não te salvo de mim mesmo.

E agora, eu sei que gasto milhares de palavras e que estas nunca te chegarão aos ouvidos, nem as lerás, sei que por detrás de todas esta smemórias está uma parede de tijolo, e sei que nunca serei o que foste para mim, amor, é deprimente o que a paixão faz a alguns.

Crónicas da Irrealidade- A paragem de autocarro

O Vaqueiro albino conversava com a foca amestrada, o som da chuva inundava o espírito da cegonha depenada que amava o Inverno.
No seu vôo a única coisa que a preocupava era a queda dos elefantes roxos mas, ela não estava sozinha pois tocava a harmónica, e uma boa música é melhor companhia do que muitos maus amigos.
- Tens ouvido falar nesses elefantes?- Pergunta a foca.
- Não se apanha com o laço não interessa, não se come não interessa, não saceia as minhas necessidades básicas e não se compromete à minha lógiva, não me interessa. POR ISSO PORQUE ME PERGUNTAS SOBRE A PORRA DOS ELEFANTES?!
A foca onomatopeia-se.
- Mas, os elefantes comem-se.
- Ah sim?! Já comeste bitoque de elefante, sopa de elefante, costeletas de elefante, tromba frita? És mesmo foca, para ti é tudo sardinhas.
E o elefante roxo cai em cima do vaqueiro, enquanto no fundo da rua surgem os trapezistas, e as bailarinas manetas dançam com os assassinos merceeiros.
E enquanto os palhaços lançam confettis, os japoneses de três dedos atiram sushi de cão para as estradas negras onde os polícias sniffam cocaína e vendem-se na berma da estrada aos italianos gordos e com cheiro a azeite.
Algures, alguém ainda te ama mulher-macaco.
A chuva é verde escarlate, e a foca tenta entrar dentro do autocarro mas não é permitida a entrada a focas.
-Porcos fascistas.
Eram no entanto Leitões.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Para a minha mãe

Sou um filho, nem sempre o melhor
Mas, espero que vejas que não sou o pior
Porque todos os dias penso em ti
E a minha vida nada seria sem o teu apoio
Por isso escrevo-te um simples poema
Uns versos para te levarem a tristeza

Foste desde cedo a minha estrela
O meu Bem, e o meu modelo
Nunca consegui mostrar por completo
O quanto tornas o meu mundo belo
Quantas vezes não pensei em ti
Quando a vida era incerta

Agora precisas de mim
E eu sei que veremos nisto um fim
Deixa-me ser a tua base de apoio
A estrela que sempre me foste
Está na altura de eu a ser
E ajudar-te a compreender
Que apenas precisamos de quem está aqui
Para se ser feliz

Fui injusto e egoísta no passado
Mas, espero que compreendas que não se repete
E que de aqui para agora a minha devoção não desaparece
Que te darei asas para que do passado te libertes

São promessas de um jovem
Mas, mais genuínas não existem
Sou teu filho e do teu lado não saio
Por isso podes dormir esta noite descansada
Porque por mim és amada

Deste-me vida e sonhos
Quero dar-te amor e esperança
Talvez um pouquinho de preseverança
Mas, quem espera sempre alcança
E sei que um sorriso verdadeiro
Um dia voltarei a vê-lo

E numa nota de rodapé
Prometo ser fiel enquanto viveres
Porque temos um laço para além da vida
Um compromisso para além da fé
E enquanto como teu filho me reconheceres
Eu por ti vou lutar
Até o mundo acabar