sábado, 3 de maio de 2008

Love Reign O'er Me


Caminhando sozinho na praia, a madrugada que sobe alto no céu pintado de azul, cinzento e amarelo, o sabor da maresia mistura-se com o sono e com o orvalho e a paisagem quase se torna misteriosa, bonita, perfeita.
Olho para as gaivotas que cruzam os céus e penso em como desejo ter asas, ser uma delas, voar sobre o mar sem destino, percorrendo o território que sempre será o mundo incógnito e nunca controlado pelo Homem, um cemitério de navios e homens mas, ao mesmo tempo a residência silenciosa de vidas, e a inspiração de tantos escritores ou simples homens, eu um deles.
E que me atrai a esta areia, vez e vez sem conta. Já há muito enviei uma garrafa ao mar com a minha carta de amor, e até agora nenhuma resposta me trouxe mas, mesmo assim não o deixo de amar, as suas ondas, e o som da sua voz, as suas histórias e as portas que com suas chaves abre na minha imaginação.
Sei que o talento na escrita é algo que em falta mas, se por momentos conseguir retratar o espírito indomável do mar, que acompanha o bater do meu coração, o som das ondas que me percorre, talvez aí consiga morrer com um significado, pois quero ser filho do mar.
Quero sobrevoar e nadar nele, entregar-me a cada cova e cada oceano, cada onda, quero empunhar o estandarte e mostrar que sou filho da água.
E não é só o amor ao mar que me percorre, nesta amdrugada, estou a caminahr sozinho, deixando um rasto para trás, ao longe o farol e as casas, à minha frente o desconhecido que simplesmente nunca me interroguei sobre conhecer, tudo atrás daquela parede de rochas, e vejo a cidade ao meu lado, e o mar do outro, estou assim cruzado entre dois amores, o mar que me ouve e percebe, e a cidade e a estrada que me querem levar longe no sonho.
E a madrugada chega ao fim, e o sol nasce, os pescadores lançam as redes e vão em viagem, eu encosto-me a um canto e vejo os outros amantes do mar, e penso que o meu amor ao mar vem de amar alguém.
Enquanto não encontrar alguém que me faça ecoar as ondas, amarei sempre o mar, danço nesta manhã esperando a minha sereia, esquecendo o passado, não lembrando o futuro, não vivendo o presente, apenas dançando entre mar e cidade, entre o sal e o asfalto, entre as amarras e as escadas, entre o meu amor perdido em forma de cidade, e o amor da minha vida, algures entre as ondas e o ecoar da rebentação, o lembrar do lar, que um coração me possa trazer.