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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Lâmpada vs Mente. -ou- Sonhei Que Era Um Decorador De Interiores


É uma mesa de metal. abandonada no meio de uma divisão solitária. O chão é tal como a restante decoração, betão frio e duro, completamente desprovido de personalidade, é uma simples sala, um daqueles caixotes sem personalidade.
Sento-me numa cadeira de metal, raspando o chão enquanto a puxo em direcção a mim, sentado nela, olho para a mesa.
Lisa, completamente lisa, sem nada em cima dela, apenas uma lâmpada acima. A lâmpada encontra-se presa por um fio, e de onde vêm esse fio não sei, sobe pelo tecto adentro para junto dor esto da electrificação, é portanto uma simples lâmpada, acendo-a.
Acesa é...igual a qualquer outra lâmpada. Ilumina ligeiramente a mesa enquanto abana devido ao toque requerido para a fazer-se ligar, como seria óbvio e nada acontece.
Encontro-me em simetria perfeita com a pesa, perpendicular à lâmpada, paralelo à mesa, é tudo uma questão de ângulos, encontro-me no centro de uma divisão que não conheço, sou o centro de um mundo vazio, e portanto o conforto de um lugar vazio é o recorrer à imaginação.
De olhos fechados, isto não é uma divisão fria e abandonada. Para começar tem um maldito tapete para alegrar o chão, sinto o sorriso do chão debaixo dos meus pés. O tecto é pintado de uma cor quente, algo bege ou uma dessas cores não-naturais, progressivas, modernas, e encho o tecto, dou alguma textura à coisa.
Faço-me decorador de interiores e encho a divisão com mobília da Ikea, o catálogo de Inverno encontra espaço nna minha divisão, aquelas mesinhas de café, e aquelas cadeiras demasiado pequenas para me sentar, está tudo no valor estético da coisa.
E aventuro-me ainda mais e imagino uma outra cadeira, mais bonita, e uma mesa de madeira, a lâmpada coberta por um abat-jour.
E lá estás tu, de sorriso feito, vestido campestre como se de verão se tratasse, fitas-me com o teu olhar penetrador, por momentos sinto as memórias a vir ao de cima, cada momento, cada toque, cada marca. Páro. Abro os olhos.
Mesma sala. Mesma lâmpada. Mesma ventilação da treta.


Não fui feito para design de interiores, abuso sempre nos detalhes

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Break The Silence With The Night


Silêncio. As avenidas encontram-se abandonadas ao silêncio, as suas estradas estão entregues a um frio e morto silêncio, os destinos cruzam-se no silêncio e a vida esmorece na luz da noite, o silêncio engole e retira a vida à mais ténue luz. Fazendo-se acompanhar de sombras e da imaginação o seu pano negro cobre o consciente e invade a vida, o silêncio apaga as vivas almas das estradas e assim silencia o mundo.
Resta pois apenas paisagem urbana, presa nos cordões da imaginação e da natureza, pincelada pelo mito, onde os prédios e as árvores sucumbem ao desconhecido da sombra, e o silêncio vê na luz dos candeeiros a chama da calma, a calma fria da noite, encerra o mundo, e esta paisagem é quador, quadro de toda a aparência, de toda a calma antes da tempestade, não só literal como metafórica a tempestade encontra-se em dois sítios, no meu mortal peito, e nos imortais céus, testemunhos do tempo.
O quadro mantém-se quieto ams, levanto os olhos em direcção ao céu, afronto Deuses ou entidades para me aclamarem, os ideais fazem de mim herói desta epopeia urbana, simples sonhador de escrita como arma, com olhos que ousam beijar os céus, a chama ardente do meu coração, a problemática da minah respiração cria oa rdor em mim, cria a revolta e a amargura e o olhar que lanço aos céus é acompanhado pela marcha triunfante do bater do meu coração.
E então ela cai.
Espelho de alma, espelho da memória, cai a densa chuva, levantando uma cortina que me envolve por completo, e a orquestra começa a longa dedicatória ao tempo, e a paisagem sinistra do silêncio é quebrada, e eleva-se a apatia. Os olhos amargurados são agora limpos por todas as gotas de água que me lavam de pensamentos, sou livre por fim.
O coração eclodindo a cada passo dado, enfrenta a chuva, chuva que sela as memórias e os espíritos dentro de suas casas, torna a cidade e as suas avenidas um deserto urbano no qual a minha imaginação percorre as vielas despertando em mim a liberdade e uma solidão libertante, sozinho com a natureza, no meu estado mais puro na terra, cada apsso pelos caminhos desenhados no chão fazem este pobre coração bater mais depressa.
Quando finalmente encontro descanso na areia, perdido numa praia abandonada,a chuva a cair-me na cara lavando-me de todas as cordas à realdiade, ouço o quebrar da orquestra da monotonia. Queda inevitavel de relâmpago, o marchar de tambores é a marcha para a qual o meu coração trabalho, de braços estendidos e de sorriso na cara, sinto-me vivo. A luz e o gritar dos céus tornam-me mais alto e mais vivo que qualquer outro ser, não há receio nem medo, uma entrega completa ao destino inexistente deixam os meus hábitos de jogador decidir por mim, a tempestade é a minha mais confortável casa, a casa da minha eterna inquietação.
A tempestade é a música que entoa o meu coração. Perdido nos meus sentidos e na minha imaginação, e tudo parece lá tão atrás.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Tired Of Being Awake em Automatismo


Malditas sensações. Malditos estados de espírito. é tudo oh tão dramático, a vida é uma lenga-lenga deprimente e eu sou o seu poeta. Estas palavras já não são mais lamentos, já não são mais sentimentos, estas palavras são adagas, e todos os pensamentos são veneno, e receio que se abrir a boca, cuspirei todas as palavras graves que alguma vez deixarei de sentir.

Conheces-me numa altura estranha da minha vida.

Conheço a mim mesmo numa altura estranha, torço o sorriso e tento sentir o vento mas, esta dor é um momento, e todos estes olhares são um baile de gala, são rodopios na tua mente, são apenas desilusões e encantamentos que te vão comendo ao pouco, afasta-te então ou habilitas-te a ser fragmentada, porque sou apenas um espírito livre, sou ilusão de óptica, vês bem em mim, em mim só à azedume e indiferença, são só palavras e vocábulos mas, um só olhar e deixo de precisar de palavras, apatia e raiva, as tuas acções merecem apenas um sorriso sarcástico e irónico, pensa que tu és apenas uma desilusão.
Olá para ti também, rpeciso de cinismos ou passo à parte negra em que me sinto revolatdo e faço de actor expressionista, és deprimente.

Queres liberdade? Faz algo.


Uma conversa com o espelho.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Engrenagem


Rodam rodam as rodas dentadas que movem-se em voltas perfeitas movendo-se mutuamente. Rodam , rodam pondo tudo a funcionar, com uma bomba que é o coração põe o sangue a bombear, bombeia bombeia por tudo quanto é lado, por cabos de óptica de vidro ou simples nervos, perorre este sangue em curso de espiral, vai acima e vai abaixo numa correria de sociedade moderna sem nunca parar, bombeia mais sangue para por a engrenagem a funcionar.
Energia, energia, os cabos da espinha ligam os protões e neutrões e alimentam que nem fábrica a cidade o meu cérebro e começa toda a actividade. Capitalista membro que impulsiona descargas a todos os subalternos, continua sempre a apregoar o sistema de engrenagem a funcionar, tic atc de bater de corações marca o compasso da vida diária, faxes e telégrafos de neurónios apeldiados mantém o contacto, corre corre o sistem sem nunca esquecer o bombear, e bombeia mais uma vez para o percurso manter acordado.
Agulhas apontam e termómetros designam, o sistema não pára, rodam rodam rodas dentadas para os meus pulmões porem a bombear feitos balões de ar quente, rodam rodam o nervo, e bombeia bombeia por tudo quanto é sítio, o tic ttac tic atc nada pára, é tudo uma engrenagem, engrenagem que não ousa parar.
Puxa e repuxa, deixa o sangue subir, deixa descer, elevador e teleférico, upa e upa abaixo, palavras de engrenagem põe dedos a carregar em teclas, é tudo do ditador cérebro a controlar! Ebgenhos e maquinarias, é tudo sistema de roldana, rodando rodando, e puxando para baixo o sangue, para os nervos por a funcionar. Tic Tac Tic tac, o meu corpo não parece parar.
É uma corrida constante, e o coração feito bomba, a gerar a batida de trabalho, roda rodam as redes de rodas dentadas e controlam a acção, sobe e desce sangue meu, e alimenta os motores e os engenhos para que ditador cérebro tiranicamente me governo, tic atc tic tac a rotina de viver é maquinaria de maior fulgor, toca toca, e remexe e mexe, coração meu és engrenagem que parece nunca terminar.
Tic Tac Tic Tac, sou mais máquina ao que de robô possa apelidar

terça-feira, 16 de outubro de 2007

De Onde Vem A Tua Inspiração?


Inspiração, posso analisar o termo, localizar e desvendar o conceito, posso retirar toda a essência e arestas de cada letra debaixo da palavra mas, sem nunca explicar de onde vem a minha inspiração. Pondero que a palavra minha seja a grande alteração do sentido do conceito de inspiração.
Pois minha dá todo um mar de pormenores que em tanto alteram o conceito de inspiração, tornam-se cordas que se agarram á palavra, é uma simbiose da língua e da escrita e a expressão torna-se em foro pessoal que apenas a cada um diz respeito, e no entanto uso ambas as palavras, pois pretendo descobrir em mim a minha inspiração, o que me faz escrever palavras sem nunca compreender porquê.
A inspiração toma controlo de mim demasiadas e as mais variadas vezes, a escrita está em bruto e portanto sem controlo, é o pouco controlo e a pouca razão que imprimo ás minhas mãos, deixo-me perder em metáforas e largo a alma pois a razão apenas corta o fruto do racíocinio emocional, e todo o lado direito do meu cérebro descansa, pois o meu lado esquerdo ocupa-se de me aproximar com o sonho que é de onde estas palavras parecem desbravar e é então que estou eu á frente de mim, é o duelo entre a minha razão e a minha entidade corporal com o meu espírito, a técnica e a vontade desliam nos meus dedos e escrevo em conjunto espelhando-me como em pinceladas numa tela, com força e sem rumo, sou apenas a liberdade da escrita, as folhas brancas são apenas palavras à espera de eu inserir.
Mas, não é o processo que toma conta do que eu digo, tudo o que escrevo, tudo o que se lê e se sente não é mais nada do que os detalhes. Pois são eles que me governam a imaginação, apenas preciso de pormenores para o geral, pois são as pequenas figruas e toques que em inspiram, não são coisas épicas são pequenos pontos de algo que em fazem sentir as mais belas sensações.

De onde vem a tua inspiração?

A minha vemd e tudo e de todos, cada ponto da minha vida, é inspiração à espera do maior estimulo da minha mente, a vida é poética demais apra tudo eu anotar. Mas, até morrer, a poesia da vida espero captar.

Jogo de Palavras


Jogo com palavras. Lanço-as ao ar e trago-as de volta sob nova forma. Não sou poeta, sou um simples acrobata.
Todas as palavras que minahs são, são de um idioma que apenas a mim me faz significado. A minha alma de empirista não coincide com a tábua rasa de todos que a minha palavra lerem, são apenas substantivos, adjectivos e toda uma carga de categorias mas, para mim nada mais são do que a minha expressão. As palavras são tragos do mar salgado que é o meu coração, e tudo o que lês de mim é apenas a tua percepção.
Pois as palavras rodam-me entre os dedos, imprimo sentimentos que são meus e sou o único que estas palavras entendo, o que lês é a tua própria inspiração, é o que sente o teu coração.
Pois a memória e o ritmo do do sentimento que escrevo, faz do meu idioma trapézio. Saltando de sentimento em sentimento o significado que lês não é o significado que tenho em mente, é tudo somente o espelho da tua mente que elucida-te sobre o que sentes.
Sou ilusionista de palavras, e tudo o que vês como meu, é apenas um significado teu. Apenas a mim este truque encontra vida, quando o encontrares serão palavras que com o teu significado irás lidar, a que vida orás dar.
Este texto é uma casa desmontada que cada leitor e que tu irás alterar, pois estas são apenas palavras, a que tu irás uma história dar.


Sou jogo de palavras que nunca irás identificar, o que eu uso é o que tu irás usar, e destas palavras, todos vós um jogo de palavras irão criar.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Lição de Voo nº 001


Levanta.Acredita.Voa
Este peso no teu peito não é o teu coração, apenas a gravidade a chamar. A sensação dos dedos dormentes que tremem não é de todos os teus fantasmas a envolver-te, são apenas as pontas das tuas asas a passar uma corrente de ar.
Os arrepios nas tuas costas não são do toque da minha pele, é apenas o suspiro da realidade: "tens que voar". O que te está a picar na cabeça não é o arrependimento ou amor, é apenas o teu subconsciente a comunicar às tuas asas para abanarem quando for a altura certa. As palavras que dizes não são justificações, são só pigarreios para não teres que enfrentar a decisão do teu voo.
Abana a cabeça, olha em teu redor, não há nada de novo aqui. O teu estômago tortura-te, não são indecisões, é apenas do oxigénio, estás enjoada com a sensação de voar.

Estás pronta.

O que enfrentas a seguir não é um capricho da tua mente, é apenas a decisão de partir, de voar para longe. Não és egoísta por voar, não é realmente egocentrismo, é apenas a tua natureza, não precisas de ouvir ninguém, apenas de voar para outros lado, voa pois meu passaro. Apenas podes ecolher, fazer ou não fazer. Seria de pensar que com um mundo com tantas questões houvessem mais respostas mas, não há.

Apenas há uma decisão. Esta é a tua lição de voo

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

I'm Not Here, I'm In Neverwhere


Não estou sentado numa cadeira, receando os pesadelos que ameaçam engolir-me vivo, não estou a escrever tentando tirar a pena que pareço aclamar, não estou aqui.
Estou em algum lugar distante, onde a noite é escura e a luz é nula, sentado com uma gabardina que nunca comprei.
O banco de madeira de tinta descascada situa-se no meio de arbustos que silvam com o vento cruel que passa, à minha frente apenas está a estrada. Os meus olhos perdem-se, as minhas sobrancelhas mostram perplexão e eu sinto-me mais perdido do que alguma vez estivera.
Duvido que acerte em tempos verbais neste coma de sono e receio ms, tento acalmar-me, fiando neste pulso a escrita de forma a não pensar em erros cometidos e conversas negras que augoiram o pior mas, situo-me nesta visão, do sítio onde realmente estou.
Encontro-me sentado olhando a estrada, talvez fazendo metáforas idiotas e sem sentido, talvez apenas a tentar desviar a minha escrita de outros assuntos, neste banco, a calma é apenas exterior, sou uma entropia capaz de rebentar ao mínimo contacto.
A noite engole-me enquanto a chuva cai sem parar, a solidão acalma-me, não penso em qualquer problemática da minha vida social, confio em esperanças e não olho para a sombra atrás de mim. A sombra que revela o lado negro da minha sina, o meu karma que atrai todos os erros que cometi e me recompensa em largas doses de dor e medo.
Do outro lado da estrada não sei o que me aguarda, não sei o que me espera, talvez algo bom, talvez sejam só as esperanças do meu coração, daquele lado não chove, apenas está nevoeiro.
Será o nevoeiro melhor que a chuva, deverei abandonar o medo da minha sombra, abandonar o que conheço e atravessar?

Só o tempo o dirá.

Não estou cá. Volto um dia destes.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Ghost Stories III- Rupert Doorway, Entropy


A Vingança é dolorosa. Ela não se esquece. A dor não deixa esquecer.
Hollow Manor tinha uma varanda. Encontrava-se a ligar todos os quartos, com a vista para a floresta, janelas brancas com arcos de ogiva tapados por várias cortinas, trancadas por dentro deixavam a varanda sozinha a cair na escuridão, a chuva a cair sem parar, alagando o chão branco, no parapeito Rupert Doorway mirava o céu.
Calmo.Sereno.Explosão.Sorrindo
Junto a uma janela estava uma mesa. Uma mesa onde conversas pareciam ter acontecido, chávenas brancas com linhas de ouro estavam à mercê da chuva que não parava. O tempo nunca para.
Olhos cinzentos, e cabelo negro curto, as mãos tremiam de frio.Ou de algo mais. Ele sorria e a varanda encontrava-se vazia.
Doorway olhava, sem nunca o tempo parar, os lábios tremem.Explosão.Frio de mais um dia chuvoso.

E lá estava o anel

E se ele se lembrasse um segundo, se tudo fosse parar aquele anel, aquele anel que ela disse não. Se isso acontecesse...
Nada. Porque os segundos não passavam, ele queria soltar-se, gritar, deixar-se cai, porque estava tudo calmo, quebrar a simetria? Ou deixar a calma aparente ser verdadeira?

Os gritos mais dolorosos, são so que não gritamos.
A entropia, consome-nos a todos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Ghost Stories II- Ginny Cherry-Pearl, Happyness


Sobre as escadas escuras do Hall apático, o corredor escuro prolonga-se até uma porta incaracteristicamente verde, passando pelas portas castanhas iluminadas por candelabros, a porta verde ilumina todo o corredor, só por si só é enérgica.
Viva.Feliz.Sorridente
Hollow Manor apenas tinha uma casa-de-banho, embora fosse estranho para uma casa vitoriana, para nenhum dos habitantes da casa o era, apenas era uma casa-de-banho com a porta verde.
E ela não se lembrava de alguém alguma vez lá entrar, pois perdia-se em canções e diálogos, a sua voz cintilanet a revibrar na casa, contava histórias, declamava poemas, e sempre dançando.
Feliz. Como que se não houvesse preocupações na sua vida. A vida era simples e feliz, nada o mudava.
Sobre a cómdoa branca da casa-de-banho tinha um gira-discos, tocava sem parar, canções de refrões deliciosos saíam do gramofone, e ela acompanhava as letras.
O seu cabelo louro caía sobre o simples vestido vermelho e branco, e ela dançava longas coreografias no tapete evrde, cantava na banheira debaixo do chuveiro.
Ginny Cherry-Pearl, cujos olhos azuis nunca haviam conhecido sofrimento. Ginny Cherry-Pearl que amava a vida, dançava sempre, não olhando a ampulheta, apenas dançava, fazia-a alegre.
E as paredes brancas reluziam com luz, mesmo estando velhas pareciam iluminadas, e o chuveiro aprecia acolhedor, o espelho reflectia.
O espelho reflectia felicidade.
O espelho reflectia vida.
O espelho reflectia Ginny Cherry-Pearl.
A Felicidade não acaba aos cinco anos.
Não para Ginny Cherry-Pearl.

A Felicidade está na simplicidade.

Ghost Stories I- Mr. Segundus, Apathy


Escuro. Cansado.Castanho.
Assim se pode descrever o hall de entrada de Hollow Manor, cortinas cobertas de pó e sujas tapam as janelas embaciadas pelo clima frio e chuvoso de mais um Inverno no vale solitário, onde nada se mexe, onde o tempo para. Onde o tempo é um grão de areia que nunca caiu de uma ampulheta, o mundo está congelado na silhueta da sombra que se abate em forma de nuvens cinzentas e escuras.
Hollow Manor seria o que se podia de apelidar uma casa vitoriana de campo, com a torre de observatório, com as paredes brancas, e os vitrais antigos, uma casa que perdurava entre o mar, a floresta e a solidão, e a chuva esbatia sem parar, acalmando e embalando o tempo e as vidas no seu interior para todo o sempre.
A rotina, o tempo que teimava em não passar, Mr. Segundus sabia-o bem, sabia como o tempo era eterno, sentia-o quandor espirava, ele respirava cada segundo, e cada segundo era uma eternidade.
O cabelo negro e longo tapava os olhos escuros e vazios, olhava o degrau abaixo de si, carunchoso e abandonado. Nas paredes via-se quadros por limpar completamente obscurecidos pelo tempo, pinturas a óleo que pareciam todas de indíviduos a posar num dia de tempestade.
Suspirou, suspirou como se tentasse arrancar o grão de areia que teimava em não descer, tentava sentir-se vivo mas, estava vazio, nada havia a fazer.
Mr. Segundus estava sentado no terceiro degrau, não sabia à quanto tempo, era parte da divisão, simétrico, entre a luz escura do exterior, e as cortinas castanhas e velhas que o deixavam na penumbra. Olhou com olhos cinzentos para a frente, olhando o candelabro de vidro embaciado que estava coberto por um pano, não sabia o que achar daquilo, sentia-se um com tudo à sua volta mas, sentia-se vazio, sentia que estava tão desligado que nada importava.
Parou. Olhou. Encolheu-se. Cabeça entre as pernas.
Preso com a divisão, sem luz, na penumbra, como numa foto sépia, em que os sentimentos de melancolia invadem todos, Mr. Segundus está só a viver, a viver o anda ele nada quer viver
Segundus deixa-se estar, ele é parte da escrivaninha carunchosa, dos degraus, dos tapetes escarlates cobertos de pó, Segundus é apatia.
Apatia é Segundus

Apatia é a pior das sentenças.